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DÚVIDAS SOBRE OUTRAS CARDIOPATIAS ESTRUTURAIS

Designação nova da cardiologia intervencionista, refere-se a toda alteração cardiológica que provoque mal funcionamento do coração ou de outras estruturas do organismo consequentes a doenças adquiridas. Como exemplo mais atual, temos a embolia de coágulos provenientes do Apêndice Atrial Esquerdo, estrutura localizada no lado arterial (esquerdo) do coração e que pode levar ao Acidente Vascular Cerebral (AVC), ou derrame. Neste caso, o procedimento de oclusão do Apêndice Atrial é feito por especialista na área de Cardiopatias Estruturais.

O que é Cardiopatia Estrutural?

O termo “Cardiopatia Estrutural” se refere a qualquer anormalidade ou defeito do músculo ou das valvas cardíacas. A cardiopatia estrutural pode ser congênita ou adquirida. As doenças congênitas do coração são aquelas anormalidades cardíacas presentes já no nascimento, ou seja, se desenvolvem durante a formação do coração no período fetal. Elas podem se manifestar clinicamente tanto logo após o parto, como na infância ou na vida adulta. As cardiopatias estruturais adquiridas não são resultado de falhas na formação do coração, mas se desenvolvem durante a vida como consequência de traumas, infecções, ataques do coração, envelhecimento ou como manifestação tardia de alterações genéticas. Tipos comuns de cardiopatias estruturais são o estreitamento (estenose) ou o “vazamento” (insuficiência) das valvas cardíacas, presença de orifícios na parede muscular que separa as câmaras cardíacas (septo interatrial ou interventricular), e o espessamento exagerado da musculatura do coração (cardiomiopatia hipertrófica).

Os sintomas da cardiopatia estrutural são bastante variáveis e dependentes da condição específica em questão. Sintomas comuns são fraqueza, falta de ar, intolerância ao esforço e palpitações. Sinais objetivos comuns são inchaços e diferentes tipos de sopro cardíaco, detectados no exames clínico.

Se não adequadamente tratadas, estas doenças podem ser evolutivas, causar alterações em outros órgãos, e diminuir significativamente a qualidade e a expectativa de vida.


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O que é o apêndice atrial esquerdo e que importância ele tem para mim?

A fibrilação atrial (FA) é a arritmia cardíaca sustentada mais frequente e epidemiologicamente mais importante, e sua incidência e prevalência aumentam com o progredir da idade. Durante a FA, as duas câmaras superiores do coração (os átrios) batem com uma frequência de até 400 vezes por minuto, de forma irregular e descoordenada com as câmaras inferiores do coração (os ventrículos), podendo causar palpitações, fraqueza e falta de ar. Uma das consequências mais importantes da FA é o alto risco de formação de trombos (coágulos) dentro do coração. Estes trombos podem se desalojar do coração e ocluir artérias de qualquer parte do corpo (tromboembolia periférica), inclusive do cérebro (tromboembolia cerebral, causando o AVC – acidente vascular cerebral – ou “derrame”). Pessoas com FA apresentam um risco 5 vezes superior de ter AVC que pessoas sem esta arritmia. No geral, este risco atinge cifras de 5% ao ano, mas pode chegar até 23,5% ao ano em pacientes entre 80 e 90 anos de idade. Na tentativa de evitar as consequências devastadoras de um AVC, que incluem óbito e deficiências permanentes, sua prevenção é essencial nos pacientes portadores de FA crônica, não importando se a arritmia é persistente ou se ela acontece em surtos (FA paroxística).

A forma mais comum de prevenção do AVC em pacientes com FA é o uso da anticoagulação oral com Marcoumar. Esta droga, que impede a formação de trombos, chega a reduzir a incidência do AVC em até 64%. Apesar de bastante efetiva, há várias dificuldades no seu uso. Entre elas estão a necessidade de monitorização frequente do seu efeito (com exames de sangue que medem o INR, que devem ser feitos a cada 2 ou 3 meses), a interação com certos alimentos e com outros medicamentos, e especialmente pelo risco de sangramento e consequente necessidade de modificação de estilo de vida. O uso do Marcoumar é também contra-indicado em pacientes que tem sangramentos importantes de repetição ou alto risco de sangramento (por exemplo, pacientes com tumores ou aqueles que sofrem quedas frequentes). Na tentativa de se superar estas dificuldades, pesquisaram-se outras formas de previnir o tromboembolismo em pacientes portadores de FA.

O apêndice atrial esquerdo (AAE) é um anexo muscular do átrio esquerdo (veja na figura abaixo). É no AAE que se formam mais de 90% dos trombos em pacientes portadores de FA que não tenham comprometimento das valvas cardíacas (FA não-valvular). Este conhecimento foi a base racional para que a oclusão do AAE fosse proposta como terapia alternativa à anticoagulação oral para prevenção de AVC nestes pacientes. Esta oclusão pode ser feita através de cateterismo cardíaco, que permite acesso ao coração através de uma pequena incisão (1-2 cm) na virilha. O fechamento do AAE é conseguido com com o implante de uma prótese que oclui a sua cavidade. Grandes estudos internacionais provaram que esta estratégia é tão eficaz como o Marcoumar na prevenção do AVC, podendo então ser indicada como uma alternativa terapêutica válida em pacientes que tenham contra-indicação ou aversão à terapia crônica com anticoagulação oral.

Fonte: Patrick J. Linch, C. Carl Jaffe


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